CHAMPAGNE, PARA BEBER – VINHOTERAPIA – ESTRELAS ZUCCA GASTRÔ

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Coluna VINHOTERAPIA

Seção ESTRELAS DO ZUCCA GASTRÔ

Por EVANDRO VANTI GONÇALVES


 

Bebendo Champagne : Moutard Brut Reserve

‘Bebo Champagne quando estou alegre e quando estou triste. Algumas vezes o bebo quando estou sozinha, e, quando estou acompanhada o considero obrigatório. Me divirto com ele se estou sem apetite e o tomo quando estou com fome. Fora isso jamais o toco, a não ser que esteja com sede.’

Elisabeth Bollinger

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Iniciando esse post com a célebre frase de Madame Lily Bollinger, uma das citações mais famosas do mundo do vinho, e para o Zucca Gastrô, com um tema bacana demais, muito extenso e prazeroso.

Um dos símbolos da França, o Champagne tem enorme prestígio mundial, estando associado ao glamour, à amizade e às grandes celebrações. É sinônimo de excelência, sofisticação e bom gosto. E, apesar disso, por trás de uma taça de cristal com um excelente vinho borbulhante, há uma história de determinação e coragem de homens e mulheres na luta contra pragas, clima adverso, guerras e invasões.
Parece bastante não é? Pois um professor falou 3 minutos sobre Champagne com seus alunos e encerrou dizendo: – Sobre Champagne ou falamos 3 minutos ou 3 dias!
Tentaremos ser breves, mas nem tanto.

Sobre a Localidade:

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Champagne está situada no Nordeste da França, a 150 Kilômetros de Paris, em uma região bastante fria, com um solo calcário muito particular, o que a torna um lugar único no mundo para a produção de vinhos.

A região empresta o nome à bebida, podendo existir somente um Champagne, aquele mesmo produzido ali, naquela pequena região demarcada e que possui um controle rígido sobre a produção do espumante.

Por ser um importante centro comercial, unindo importantes rotas, teve por causa desta condição sua riqueza e sua desgraça, sendo palco de guerras terríveis, e é considerada a região mais conflagrada da França.

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Podemos dizer que o Champagne, esse estranho vinho que fermentava por duas vezes, inventou-se por si só, graças a uma série de circunstâncias peculiares, as quais envolvem inclusive o transporte deste à Inglaterra.

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O monge beneditino dom Pierre Pérignon restaurou a adega da Abadia de Hautvillers, e,  grande estudioso das vinhas e dos vinhos, escolhia a composição com a qual eram elaborados os espumantes. Ele desenvolveu a enologia de forma meticulosa e elevou o Champagne a um patamar de qualidade que antes não havia. Palmas para ele!

A Champagne (desta vez é só a bebida gente!) é produzida com 3 castas tradicionais: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.

A Chardonnay (uva branca) contribui com os aromas delicados, de notas florais, frutas cítricas, às vezes minerais.

A Pinot Noir (uva tinta) contibui com aromas de frutas vermelhas e imprime sua personalidade ao assemblage, com corpo e potência.

A Pinot Meunier (uva tinta), dá vinhos suaves e frutados, e trazem maciez ao conjunto.

Fazendo um Champagne:

Segundo Christian Pol Roger, proprietário da Maison Pol Roger: “É bem simples: – Para um Brut não safrado: Serão 3 meses fermentando em cuba (1ª fermentação – alcoólica), depois vem a assemblage (mistura dos diferentes vinhos) , 3 anos de envelhecimento na cave, 3 semanas no pupitre (cavalete onde se realiza a remuáge (rotação das garrafas) e 3 meses de repouso após a retirada do depósito.
Durante a segunda fermentação na garrafa, o contato de partículas de leveduras mortas entram em contato com o vinho, (processo chamado autólise). São trocas entre o resíduo e o próprio vinho. Isso confere à bebida força, complexidade, intensidade e até densidade. Assim o vinho adquire personalidade, amadurece. A etapa seguinte consiste em retirar este depósito de leveduras mortas. Assim, as garrafas são postas em estantes a 45°, o depósito de leveduras deslizando em direção à base com a mexida. As garrafas serão abertas para a extração do depósito e adiciona-se licor de expedição em função de sua natureza: Nature, Brut, Demi-sec, Sec, Suave.”

Resumindo:

Colheita → Prensagem nos Vinhedos e Transporte → Recepção na Maison → Elaboração do Vinho-Base → Assemblage → Engarrafamento → Segunda Fermentação nas Garrafas →

Maturação nas Borras → Manuseio das Garrafas → Degola (Adição do licor de Expedição)  → Dosagem e Arrolhamento → Rotulagem → Expedição.
A quantidade de açúcar da mistura (licor de Expedição) determina o tipo de Champagne:

Nature: (sem adição de licor)
Extra Brut: Bem seco (até 6 gr/l)
Brut: seco (até 15 gr/l)
Extra-dry: (12 a 20 gr/l)
Sec: Levemente seco (17 a 35 gr/l)
Demi-sec: meio doce (33 a 50 gr/l)
Doux: relativamente doce (acima de 50 gr/l)

Cada Maison imprime um caráter, um padrão no seu estilo de Champagne, visando conquistar um público fiel e personalizando a sua bebida. (Mas, como é de se esperar, muitos desses padrões são comuns a todos, determinados rigidamente pelo CIVC – Associação que representa todas as Maisons, e que zela pela alta qualidade dos vinhos produzidos).

Pierre Taittinger: “Cada fabricante tem seu estilo. Ninguém é melhor do que ninguém. Nós cultivamos as diferenças, mas a mesma exigência de excelência nos aproxima.”

As diversas categorias de Champagne:

Blanc de Blancs: Champanhes produzidos com a uva Chardonnay
Blanc de Noirs: Produzidos exclusivamente de uvas com casca escura, vinificadas em branco
Cuvée: uma assemblage, uma mistura, o que todo champanhe é.
Non- Vintage: contém vinhos de mais de um ano
Vintage: vinhos de um único ano

 

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Champagne Moutard Brut Reserve

Champagne Moutard Brut Reserve

Champagne produzido com 100% Chardonnay, portanto um Blanc de blancs, vinhas de 10 a 20 anos de idade, 36 meses de envelhecimento na cave com as borras (sur lie).

O Moutard Brut Reserve tem os aromas típicos e que definem o Champagne: Tostado, brioche , frutas secas e amanteigado. Um bouquet elegante e fino.

Gustativamente é seco, delicado, com muito boa acidez e um colchão de espuma macio em boca.
Muito bom como entrada ou com frutos do mar. Álcool a 12% vol.
Atenção à temperatura de Serviço: 8°C.

No Supermercado Angeloni em Florianópolis, custa 189,00 reais (05/08/2016).

Clique AQUI para consulta.

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Para encerrar, algumas outras frases sobre Champagne, de cidadãos ilustres e inspirados:

Napoleão Bonaparte: “Na vitória você merece tomar Champagne, na derrota, você precisa dele.”

Noël Coward: “Porquê eu bebo Champagne no café da manhã?! Não é o que todo mundo faz?”

Winston Churchill: “Lembrem-se, cavalheiros, não é só pela França que estamos lutando, é pela Champagne também.”

Anthelme Brillat-Savarin: “Borgonha faz com que você pense em bobagens; Bordeaux faz com que você fale sobre elas e Champagne faz com que você as cometa.”

Remy Krug: “Não se deve reservar o Champagne somente para uma ocasião especial, pois só o fato de abri-lo já torna qualquer ocasião especial.”

Paul Claudel: “Senhores, no pequeno momento que nos resta, entre a crise e a catástrofe, nós podemos beber uma taça de champagne.”

Para saber mais:
Livros:

A Viúva Clicquot – Tilar J. Mazzeo
Borbulhas Tudo sobre Champanhe e Espumantes – Aguinaldo Záckia Albert
Vinho e Guerra –  Os Franceses, os Nazistas e a Batalha pelo maior tesouro da França                           (excelente livro, leitura obrigatória)

Deu vontade de provar um Champagne? Desculpem, a intenção era essa mesmo…

Um Brinde! Saúde!

Evandro Vanti Gonçalves

wineblogger do Vinhos que Provo (http://vinhosqueprovo.blogspot.com.br/)


CRÉDITOS FOTOS: enviadas pelo Autor do Texto, retiradas da internet

 

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